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O Ateliê: Crônica de Tempos Intranquilos
Kucinski B.
Alameda
89,00
Sob encomenda 5 dias
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Uma das perguntas, no início de O ateliê, faz pensar: seria esta uma narrativa factual? Mas é o próprio autor, B. Kucinski, quem responde: “Não, não é bem assim.”
Kucinski faz uma condensação literária de um período da história brasileira com enor me densidade de fatos reais. Um certo clima de mistério envolve situações e personagens, descritas por um narrador jovem, estudante de Letras, ansioso por aprender um pouco da história recente do país, para o livro que quer escrever, ouvindo e anotan do o que atores bem mais velhos, reunidos semanalmente, contam de si e de outros, misturando passado e presente.
Há muitos personagens reais, mas outros são inventados, para que coubessem na trama com verossimilhança. No grupo que se encontra no a teliê há majoritariamente jornalistas, que trabalharam, antes da ditadura militar, em diversos setores da imprensa, sendo que o jovem narrador os descreve realisticamente, a fim de que, apesar dos pseudônimos, talvez possam ser reconhecidos por leito res que viveram histórias semelhantes.
Nos diálogos às vezes acalorados, com anuências e destemperos, elucidam-se temas e situações daquela época, cheia de marchas e contramarchas, de atos de coragem e traições abjetas na vida política do país. Jo rge Arízio, o dono do ateliê, no primeiro parágrafo, clama pelo “ex--presidente de origem operária”, em vias de ser preso.
Os leitores, tanto velhos quanto jovens, como o narrador, hão de reconhecer imediatamente de que tempo se trata: o presente da narração, que escorre nas inquietações dos personagens sobre a política brasileira do momento.
O impeachement da presidenta Dilma, seu vice Temer, a Lava-Jato e, em seguida, o presidente Bolsonaro. Um livro atualíssimo sobre a funesta ditadura militar e suas graves consequências até hoje, revisitadas pela literatura.
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