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Enterrem meu coração na pedra do Arpoador
Motta Bezerra
MINOTAURO - Alta books
59,90
Sob encomenda 7 dias
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"Recebi o telefonema na sexta-feira de carnaval, às três da tarde, quando trabalhava em casa, no quarto que transformamos em escritório”. Assim começa o relato de um filho que, à sombra da Pedra do Arpoador, vela a despedida do pai. “Aprendi com meu pai a ser feliz com uma vida frugal. O luxo me é estranho e o desperdício me causa desconforto”, diz Roberto Motta. As lições são muitas, a maioria nunca articulada em palavras. “A doença não fez com que abríssemos nossos corações e conversássemos de forma mais íntima”. Filhos jamais entenderão os pais e pais jamais compreenderão os filhos; entre eles há uma barreira chamada tempo, que só pode ser transposta por pontes de amor e persistência — pontes, como diz Roberto, “cuja arquitetura complica da escapa à capacidade da maioria de nós”. Durante os meses em que levou o pai a consultas e laboratórios, ele descobriu que a indústria de saúde ignora os pacientes que sentem dor. “Câncer é um avião, em noite de tempestade, sem lugar para pousar.” O relato, enxuto e poético, acompanha o percurso de Roberto desde os tempos da infância na Salvador dos anos 1970 até o mar do Arpoador, onde aprende, entre memórias e silêncios, a difícil arte de se despedir. É um livro sobre o amor que resiste ao t empo, sobre o que é possível salvar antes que tudo se apague — e sobre como enterrar um coração pode, às vezes, ser a forma mais profunda de preservá-lo.
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