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Memórias póstumas de uma anônima
Maria Valéria Rezende
Ação Editora
59,90
Sob encomenda 5 dias
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Uma narradora morta — revisora e ghost-writer aposentada — desperta dentro do caixão, na véspera de São João, e decide escrever, ali mesmo, sua “obra póstuma”, única chance de ter o nome reconhecido.
Memórias póstumas de uma anônima é o relato desse esforço. Sem a desculpa da falta de tempo, matéria que agora lhe sobra, a autora precisa enfrentar suas próprias limitações e encarar sem pudor as engrenagens de um mercado editorial cada vez mais pautado pela mercantilização da figura do autor.
Quem conhece a obra de Maria Valéria Rezende pode se surpreender com o tom desta comédia amarga. Em vez da sugerida ironia machadiana, somos apresentados a um texto sarcástico, desconcertante, como se, aos 84 anos, ela resolvesse questionar o outro lado da vida literária.
Ao contrário de outros escritores que aproveitam sua maturidade artística para sintetizar o processo de uma vida inteira, Maria Valéria Rezende lembra o crítico Edward Said e chuta o balde. Não há aqui a limpeza de um testamento li terário, mas uma mulher morta, contando às pressas os fiascos de uma vida inteira dedicada às palavras de outros.
No fim das contas, o relato de seus fracassos é, ironicamente, sua obra.
Há algo de paradoxal em ver uma das mais consagradas autoras br asileiras emprestar sua voz a essa angústia anônima — o pesadelo que todo escritor prefere não nomear.
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