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Entre as raças
Heinrich Mann
ZAIN
97,90
Sob encomenda 5 dias
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Entre as raças ocupa um lugar singular na obra de Heinrich Mann. Inspirado nas memórias de Julia Mann, mãe brasileira do autor, nascida em Paraty, o romance transforma uma história familiar marcada por deslocamentos e encontros culturais em uma refle xão profunda sobre identidade, liberdade e pertencimento.
O título da obra, sobretudo na Alemanha, ainda hoje causa estranhamento pelo uso da palavra “raça” aplicada a seres humanos. Mas em 1907, quando o romance foi publicado, o termo ainda não est ava impregnado pela carga ideológica nefasta que adquiriria mais tarde com os desdobramentos das teorias raciais e do racismo científico. Assim, no contexto histórico de Heinrich Mann — e na trama —, estar “entre as raças” é estar entre mundos, entre culturas, entre formas de pertencimento. Essa é a realidade da protagonista, a jovem cantora Lola Gabriel.
Nascida no ambiente tropical brasileiro, com diversas cenas da infância vividas em Ilha Grande, Lola é levada ainda criança para a Europa, on de se vê confrontada por normas sociais rígidas, expectativas sufocantes e uma cultura que a percebe como estrangeira. Lola constrói sua trajetória em um espaço de fronteira, aprendendo a negociar as múltiplas dimensões de sua identidade. Entre os ho mens que entram em sua vida — e que representam diferentes modelos de masculinidade e de poder — destacam-se duas figuras contrastantes e fundamentais na trama: Arnold Acton, poeta que simboliza a sensibilidade intelectual, e o conde Cesare Augusto P ardi, que encarna o fascínio da autoridade e do poder masculinos.
Mais do que um romance de formação, Entre as raças é uma narrativa sobre emancipação. Ao acompanhar a jornada de Lola, Heinrich Mann investiga os mecanismos de controle que moldam a v ida das mulheres e denuncia as estruturas patriarcais que transformam relações afetivas em instrumentos de dominação. Romance sensível, crítico e profundamente humano, Entre as raças é um testemunho literário da busca pela dignidade, pela autonomia e pelo direito de cada indivíduo a construir sua própria identidade.
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