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Exu e as Encruzilhadas:: Diálogos com a Clínica Psicanalítica
Dezan Bastos
INM
80,00
Sob encomenda 5 dias
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A escrita se abriu pedindo licença a Exu: não com uma síntese, mas uma passagem, um furo na língua, um neologismo tomado de empréstimo a uma canção e endereçado ao/à leitor/a como sinal de uma escrita própria, emancipada, assumida. Que um livro de ps icanálise comece por um pedido de autorização — não ao pai, não ao mestre, nem a uma escola de psicanálise, mas ao Orixá que abre e fecha passagens — já exprime algo essencial sobre o gesto que aqui se inaugura: o de deslocar o centro a partir do qua l a teoria e a clínica psicanalítica têm sido, até hoje, majoritariamente pensadas. Este é o livro de estreia da psicanalista Alba Lúcia Bastos Dezan: Exu e as encruzilhadas: diálogos com a clínica psicanalítica, no qual o leitor vai encontrar uma in terrelação entre espiritualidade, ancestralidade, racialidade, negritude e clínica psicanalítica a partir dos autores das relações objetais e decolonialidade como Franz Fanon, Sueli Carneiro, bell hooks, Grada Kilomba, Kabengele Munanga, Lélia Gonzal ez, Isildinha Baptista Nogueira, Virgínia Bicudo, Thamy Ayouch, e muitos outros. A encruzilhada representa, na ancestralidade dos orixás, as escolhas que fazemos, os movimentos que construímos, os riscos que assumimos, as decisões que tecemos, a ênfa se da multiplicidade dos caminhos que podemos percorrer. Portanto, a encruzilhada não se constitui um lugar físico, mas um lugar psíquico, um lugar simbólico, um símbolo do momento em que o sujeito precisa se posicionar diante das possibilidades da v ida. A encruzilhada é, nesse sentido, um lugar de força, de poder e tomada de consciência de que nada está totalmente resolvido, tudo pode mudar. Trata-se de uma metáfora ontológica e que introduz a existência de todo o ser humano com seu passado, se u presente e seu futuro, ou dito em outras palavras, com a sua própria ancestralidade. E que a última palavra seja um verbo inventado que diz tudo da inventividade linguística, conceitual e afetiva que esses textos propõem. “Africaniar-se” não é cheg ar a um destino: é o gerúndio de um movimento que a encruzilhada torna, estruturalmente, interminável — um verbo que Exu continua conjugando a cada dia.
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