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Poucos E Muitos: A Comunidade Judaica E Seus Desviantes Na Cidade Do Rio De Janeiro (1850-1920)
Henrique Samet
Garamond
111,55
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Partindo do pressuposto de que a história da comunidade judaica no Rio de Janeiro ainda se apresenta com muitas lacunas, este livro traça sequencialmente sua constituição contemporânea a partir do século XIX, englobando a origem e causas dos diferent es fluxos de imigrantes judeus, bem como refaz certos sensos comuns equivocados sobre tais presenças. É de se assinalar uma perspectiva inclusiva neste livro, entendendo como parte desta sequência os traficantes e prostitutas que aqui arribaram e viv eram por quase cem anos, bem como os desdobramentos específicos das diferentes presenças – marroquinos, franceses, russos da Bessarábia –, com suas convergências e divergências, ressaltando sua diversidade e o complexo entrelaçamento de suas trajetór ias. Henrique Samet identifica no livro os diferentes núcleos comunitários que foram criados, suas atividades e fragilidades, a instabilidade temporal de suas associações e certa incapacidade de constituírem organizações mais amplas e abrangentes. Ta mbém revela iniciativas, após a instituição da República (1889-1910), de se criarem novas entidades judaicas beneficentes, tentando explicar sua razão. Por outro lado, contesta a versão de que os marroquinos no Rio de Janeiro resultam da migração de seus congêneres do Norte do país, bem como a ideia de que se deve majoritariamente à guerra franco-prussiana de 1870 a presença de judeus franceses da Alsácia Lorena na cidade. Também contesta a ideia de que estes últimos foram politicamente inativos , dedicando-se somente a manter boas relações, especialmente com o imperador, e apresenta aspectos inéditos de sua atividade dentro da colônia francesa na cidade. Especialmente no que se refere ao segmento que se dedicou ao meretrício, o livro mostra as características da repressão policial que se manteve no mesmo diapasão de 1879 até 1920, propiciando um singular espaço para a ascensão de uma camada feminina no métier, o que explicaria em parte a constituição em uma sociedade beneficente exclus ivamente feminina desde 1898, e não somente a partir de 1906 como é propalado até agora. Por fim, dedica-se aos anos pós 1910, nos quais preponderou a nova presença de judeus provenientes da Bessarábia, suas lutas comunitárias – abarcando um confront o declarado com traficantes e meretrizes em torno de cemitério e teatro –, a criação de um movimento sionista local e de organizações beneficentes e religiosas, enfrentando igualmente iniciativas policiais que chegaram a causar dificuldades à sua lut
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